Carta do Gestor Maio 2025

Cenário econômico global

Os agentes de mercado permaneceram em alerta quanto a “Guerra Tarifária” entre os
EUA e a China. No último final de semana (9 e 10/5), o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, celebrou a trégua nas tarifas retaliatórias contra a China e
sinalizou para a diminuição das tensões. O acordo foi anunciado nesta segunda-feira
(12/5) e deve durar 90 dias. Na Casa Branca, Trump chegou a afirmar que deve conversar
com Xi Jinping tão logo. As tarifas sobre os produtos chineses, antes em 145%, cairão
para 30% após a negociação. Já os 125% de tarifas chinesas sobre produtos americanos
cairão para 10%.

Na prática, os mercados reagiram bem às novas perspectivas, com os fluxos de capital
retornando para as bolsas norte-americanas e com o fortalecimento do Dólar.

Cenário Doméstico (Brasil)

Em março de 2025, a economia brasileira exibiu um quadro de sinais mistos. Os Índices
de Gerentes de Compras (PMI) indicaram uma contração na atividade econômica em
abril, com o PMI Composto caindo para 49,4 e o PMI de Serviços recuando para 48,9,
ambos sugerindo uma retração no setor.

Contudo, a produção industrial surpreendeu positivamente, registrando um crescimento
de 1,2% em março em comparação com fevereiro, e um aumento de 3,1% em relação a
março de 2024. Este desempenho sinaliza uma possível retomada na atividade industrial,
que pode impulsionar o crescimento econômico nos meses seguintes.
As vendas no varejo também apresentaram um aumento de 0,5% em fevereiro,
alcançando o nível mais alto desde 2000. Os segmentos de hipermercados,
supermercados, alimentos, bebidas e tabaco cresceram 1,1%, enquanto móveis e
eletrodomésticos avançaram 0,9%.

O mercado de trabalho, por outro lado, mostrou um desempenho ambíguo. A taxa de
desemprego ficou em 7,0% no trimestre encerrado em março, mantendo-se em patamares
historicamente baixos. No entanto, a geração líquida de empregos formais somou apenas
71,6 mil postos em março, o pior resultado para o mês desde 2020. Essa discrepância
sugere uma desaceleração no ritmo de contratações, possivelmente refletindo os efeitos
cumulativos do aperto monetário, a moderação do consumo e a crescente incerteza
empresarial em relação ao cenário fiscal e regulatório.

O IBC-Br, considerado um indicador antecedente do PIB, avançou 0,4% em fevereiro,
impulsionado pelo setor agropecuário, que cresceu 5,6%. No acumulado de 12 meses, o
IBC-Br apresenta um crescimento de 4,1%, indicando uma resiliência da economia,
mesmo diante de uma política monetária restritiva.

No âmbito político, o Brasil enfrentou tensões comerciais com os Estados Unidos e
intensificou suas relações comerciais com a China.

Política Monetária (Brasil)

A inflação, medida pelo IPCA, registrou um aumento de 0,43% em abril, desacelerando
em relação a março, mas permanecendo acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco
Central, com um acumulado de 5,53% em 12 meses. Essa desaceleração, embora positiva,
indica que a inflação continua sendo uma preocupação, especialmente devido às pressões
nos preços de alimentos e produtos de saúde.

O IGP-10 registrou uma deflação de 0,22% em abril, enquanto o IGP-M surpreendeu com
um aumento de 0,24%.

Política Fiscal e Setor Externo (Brasil)

A balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 8,15 bilhões em abril,
com exportações totalizando US$ 30,41 bilhões e importações somando US$ 22,26
bilhões. Apesar do superávit, houve uma queda de 3,3% em relação ao mesmo mês do
ano anterior, atribuída ao aumento das importações.

O Brasil recebeu US$ 5,99 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em março,
um valor abaixo das expectativas. Esse resultado reflete um ambiente global de menor
apetite por risco e, também, dúvidas internas relacionadas ao compromisso com o
equilíbrio fiscal e à condução da política econômica.

As estatísticas fiscais revelaram um superávit primário de R$ 3,6 bilhões no setor público
consolidado em março, mas um déficit nominal de R$ 71,6 bilhões. Nesse contexto, a
dívida líquida do setor público atingiu 61,6% do PIB, enquanto a dívida bruta ficou em
75,9%.

Cenário Internacional – Estados Unidos
A economia dos EUA apresentou sinais de moderação em abril de 2025. O PMI
Composto da S&P Global recuou para 50,6 em abril, ante 53,5 em março, indicando uma
expansão mais lenta da atividade econômica.

O mercado de trabalho mostrou a criação de 177 mil vagas no setor não agrícola em abril,
mas com sinais de acomodação. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,2%,
indicando uma manutenção da resiliência do mercado de trabalho, embora com sinais
crescentes de acomodação.

O relatório JOLTS revelou uma queda na oferta de empregos em março, e os pedidos
iniciais de seguro-desemprego subiram e os dados econômicos também mostraram uma
leve desaceleração nas pressões inflacionárias: o CPI recuou 0,1% em março, levando a
inflação anual para 2,4%, abaixo da projeção de 2,5%; as vendas no varejo aumentaram
1,4% em março, enquanto a produção industrial registrou uma queda de 0,3%. O déficit
orçamentário federal em março foi de US$ 161 bilhões e o Produto Interno Bruto (PIB)
do primeiro trimestre apresentou uma contração de 0,3%, frustrando amplamente as
expectativas de estabilidade ou leve crescimento.

Na política, o presidente Donald Trump suspendeu tarifas adicionais para algumas
nações, mas intensificou as medidas contra a China.

Zona do Euro

A Zona do Euro apresentou um cenário de recuperação gradual em abril de 2025. O PMI
Composto da S&P Global registrou 50,4 pontos em abril, ligeiramente acima da projeção
de 50,1, indicando uma expansão marginal da atividade econômica.

O BCE reduziu sua taxa de juros pela sétima vez consecutiva, fixando-a em 2,25%. A
presidente do BCE, Christine Lagarde, justificou a decisão como uma resposta às
crescentes incertezas econômicas, especialmente devido às tarifas impostas pelos EUA.
As vendas no varejo cresceram 0,3% em fevereiro, e a produção industrial surpreendeu
positivamente, com alta de 1,1%. A taxa de desemprego manteve-se em 6,2% em março,
permanecendo no menor nível desde a criação do euro e o PIB da região cresceu 0,4% no
primeiro trimestre de 2025.

China
A economia chinesa apresentou sinais de desaceleração em abril de 2025. O Índice de
Gerentes de Compras (PMI) Industrial oficial recuou para 49,0 pontos em abril,
retornando à zona de contração e alcançando o pior desempenho desde dezembro de 2023.
A inflação ao consumidor manteve-se em território negativo pelo terceiro mês
consecutivo e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou uma queda anual de
0,1%, refletindo pressões deflacionárias persistentes.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego urbano caiu para 5,2% em março.
O Banco Popular da China (PBoC) manteve inalteradas as Taxas Preferenciais de
Empréstimo (LPR).

Com relação ao comércio exterior, a balança comercial chinesa apresentou um superávit
de US$ 96,18 bilhões em abril.

Em termos políticos, a China continuou a reforçar medidas contra os Estados Unidos.

Japão

Os indicadores econômicos do Japão em abril de 2025 apontaram para uma recuperação
moderada na produção industrial. O PMI Industrial registrou 48,7 pontos em abril,
ligeiramente acima do mês anterior (48,4), mas ainda abaixo da linha de 50 e o PMI do
setor de serviços subiu para 52,4 em abril.

• Os índices de preços ao consumidor reforçaram a tendência de avanço da inflação.
• A produção industrial japonesa caiu 1,1% em março.
• As vendas no varejo cresceram 3,1% em março.
• No mercado de trabalho, a taxa de desemprego subiu para 2,5% em março.
Nesse contexto, o Banco do Japão (BoJ) decidiu manter a taxa de juros em 0,5%.

Estratégias de gestão – Carteira de Renda Fixa

Seguimos com posições mais relevantes no segmento de títulos pós-fixados, justificadas
pela continuidade do ciclo de alta da taxa Selic. Deslocamos, moderadamente, alguns
vencimentos para os títulos pré-fixados, em razão do arrefecimento da taxa de juros
futura, tendo em vista a taxa Selic terminal na ordem de 15,0% ao ano. No decorrer do
primeiro semestre de 2025, promovemos a diversificação da carteira em direção ao
segmento de emissores não-bancários, entretanto, limitada a 20% das posições.
Neste sentido, os resultados das carteiras de renda fixa têm apresentado resultados
robustos acima de 110% do CDI, com excelente relação risco e retorno.

Carteira de Renda Variável

O Ibovespa segue em tendência de alta, justificando as recentes alocações em ações de
empresas descontadas. No momento, o índice apresenta potencial de atingir 140.000
pontos no curto prazo, em razão da conjuntura de curto prazo e das menores tensões
advindas do exterior.

Carteira internacional

Com a realização de lucros observada nas ações do S&P500, aumentamos a exposição da
nossa carteira ao índice, aproveitando descontos em empresas sólidas mantendo a ótica
de longo prazo. Com o arrefecimento das tensões relacionadas a Guerra Tarifária, o
mercado de ações nos EUA já apresenta sinais de recuperação.

Conclusão

Por fim, reafirmamos nosso compromisso quanto a seleção de ativos com fundamentos
fortes e o monitoramento rigoroso dos riscos associados.

Renan Silva
Gestor, CGA

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