Maio de 2022

1. Conjuntura econômica

Internacional

  • Copom segue com o ciclo de alta de juros no Brasil;
  • Inflação segue pressionada com destaque para transportes e alimentos;
  • Mercado de trabalho segue robusto, mas a renda média encontra-se comprimida;
  • Arrecadação de impostos surpreende positivamente;
  • Projeções do PIB sobem para 1,5% ante 0,7%.

O Copom elevou a taxa Selic para 12,75% a.a., sendo que as projeções de inflação provavelmente serão revisadas para cima até a próxima reunião, sugerindo que a próxima elevação deverá chegar a 0,50 p.p., lembrando que os analistas de mercado mantem a projeção para 2022 em 13,25% a.a. e para 2023 em 9,25% a.a. (relatório Focus 29/4). Cabe pontuar que parte relevante dos agentes de mercado entendem que a Selic poderá atingir o patamar de 13,75% a.a. até dezembro de 2022, entretanto o consenso é de que o fim do ciclo de alta da Selic está perto do fim, conforme podemos observar no comportamento da curva de juros futuros, composta pelos contratos de DIs futuros.

Essencialmente, a curva de juros futuros encontra-se negativa, onde os contratos com vencimentos mais longos estão sendo negociados a taxas abaixo dos contratos de curto prazo. Essa anomalia de mercado indica um maior otimismo em relação ao controle inflacionário e, consequentemente, ao fim do choque de juros no Brasil no curto prazo.

Do lado da inflação, as preocupações recaem sobre pressão nos preços das commodities no mercado internacional, advinda da Guerra Rússia x Ucrânia, países produtores de elevada relevância. Adicionalmente, a influência relativa ao hiato inflacionário por ocasião da pandemia. Nesse contexto, entendemos que o arrefecimento da inflação virá por meio da queda da renda e do elevado endividamento das famílias, o qual se encontra em patamares recordes.

Quanto ao mercado de trabalho, a taxa de desocupação melhorou sensivelmente, atingindo o patamar de 10,5%, contrabalanceado rendimento médio preocupante, afetado pela precarização das condições de trabalho. A maior contribuição para o aumento do emprego deriva do Setor de Serviços, o qual apresentou forte aceleração com a vacinação contra a Covid.

Com relação ao PIB, as projeções de crescimento foram alteradas de 0,7% para 1,5% para 2022 e de 1,0% para 2,0% em 2023, refletidas nos índices de confiança. Quanto a política fiscal, o superávit primário encontra-se em 1,4% PIB, com a dívida bruta em 79,1% e 57,0% do PIB, o que demostra disciplina fiscal. A melhora oriunda da Política Fiscal abriu espaço para medidas como redução de impostos, cujo foco é contribuir com a queda dos preços ao consumidor, entretanto acirra o debate sobre a capacidade dos Estados e Municípios suportarem a queda da arrecadação provenientes dessas medidas

A taxa de câmbio permanece extremamente afetada pelas incertezas advindas da Guerra Rússia x Ucrânia e da implementação do novo “lockdown” na China, comprimindo a recuperação econômica global. Desta forma, as projeções giram em torno R$ 5,00 por dólar para o final de 2022, mas com grande possibilidade de arrefecer em razão dos juros reais ofertados no Brasil, no momento, os maiores entre seus pares. São esperadas oscilações relacionadas ao embate político no Brasil, mas prevalecendo as oportunidades de auferir maiores prêmios na renda fixa, principalmente, e na renda variável.

O Fed aumentou a taxa básica de juros da economia americana em 0,50 p.p. e sinalizou que continuará nesse ritmo nas próximas reuniões, reforçando nosso cenário de mais duas altas de 0,50 p.p. em junho e julho e três acréscimos de 0,25 p.p., chegando ao intervalo de 2,50%-2,75% este ano. O fato é que o IPC norte-americano permanece pressionado, mas sem sinais claros de deterioração. Por exemplo, o IPC mai/22 veio a 0,6% contra a projeção de 0,5% e o anual computou 8,6% contra a projeção de 8,3%.

Tendo em vista a incerteza e os riscos geopolíticos, a projeção para o Brent mantem-se em USD 125,00/barril, ainda há preocupação quanto a capacidade de refino limitada pressionando a gasolina e o diesel, as pressões inflacionárias deverão continuar. Como atenuante, o Governo busca alternativas já conhecidas como o etanol e o biocombustível.

Cabe pontuar que a inflação no Brasil apresentou os primeiros sinais de arrefecimento. O IPC-A de maio/22 auferiu 0,47% e em 12 meses 11,73%, quando as projeções apontavam para 0,60% a.m. e 12,13% a.a. respectivamente.

2. Estratégias

Considerando a conjuntura e o cenário base para o Brasil, de pressões inflacionárias adicionais e juros elevados, seguimos com as realocações dos ativos de renda fixa prazo para os títulos de média duração e prêmios mais elevados, aproveitando a escalada da Selic.

Continuamos com a convicção de que as empresas brasileiras listadas em bolsa de valores apresentam um bom desconto, representando um ponto de atratividade em relação às bolsas mundiais. No balanço geral, o Brasil ganhou visibilidade por ser um grande player de commodities e por estar distante do conflito na Europa.

2.1. Renda fixa

Seguimos com a estratégia de preservação de capital associada a retornos elevados, aproveitando a forte elevação dos juros reais no Brasil. No período da pandemia mantivemos os investimentos em títulos com baixíssimo risco de crédito e de curta duração, os quais estão sendo realocados gradualmente para os títulos com maiores prêmios, como as LTNs (24) e as NTNBs (26), ao mesmo tempo mantendo parcela relevante em LFTs, aproveitando a elevação da Selic e presando pela liquidez, em razão dos efeitos exógenos da crise global e do risco político no Brasil.

No campo das emissões privadas, seguimos com os papéis de curto prazo, usufruindo do stress na curva de juros futura, entretanto mantendo a forte disciplina quanto ao risco de crédito, investindo em emissões bancárias com garantia do FGC.

2.2. Renda variável

Em momento de crise prevalece a tese de investimentos em setores essenciais e mais resilientes as oscilações de mercado. Continuamos capturando resultados oriundos da pressão sobre as commodities. A estratégia de proteção por meio de operação caixa (hedge), na ordem de 20% do portfólio, foi assertiva, na medida em que após três meses de resultados expressivos, a bolsa de valores foi afetada por realização de lucros. No momento, continuamos investidos essencialmente nos setores de energia elétrica, de petróleo e gás, de mineração, de proteínas e de fármacos.

Nesse entendo, realizamos lucros expressivos no setor de fármacos (HYPE3) e canalizamos para operações de renda fixa.

3. Conclusão

O cenário econômico permanece desafiador, sendo que o Brasil mantém atratividade, considerando o elevado juro real e, ainda, o desconto de empresas listadas na Bolsa de Valores, contudo sofre com a volatilidade típica do risco sistêmico.

Por fim, a Bluemetrix Asset mantém rigorosamente a disciplina na busca por ativos sólidos de caráter conservador, com elevada liquidez e com baixo risco, condizentes com a conjuntura econômica.

 

Renan S. Silva Jr

Gestor, CGA

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