carta do Gestor - Abril 21

Abril 2021

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

Macroeconomia

A projeção para o crescimento do PIB em 2021 subiu de 3,17% para 3,21%, segundo o boletim Focus de 07/05/2021. Para 2022 e para 2023, as projeções se mantiveram constantes em 2,33% e 2,50%, respectivamente. Esse ajuste de expectativa reflete um cenário de aumento de juros no curto prazo e a retomada gradual das atividades, apesar da velocidade de vacinação estar menor que o inicialmente projetado.

Segundo o IBGE, em março, a produção industrial recuou 2,4% frente a fevereiro, intensificando a queda registrada no mês anterior. Na comparação com março de 2020, a produção industrial teve alta de 10,5%, mas no acumulado dos últimos 12 meses, tem queda de 3,1%. O resultado foi puxado principalmente pela queda de 8,4% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Ainda sobre o mês de março, as vendas do varejo tiveram uma queda de 0,6% frente a fevereiro. Esse resultado se deve, principalmente, a uma nova onda de lockdowns nos principais centros urbanos. No entanto, o mercado projetava uma queda de 7,0% para esse mês, logo, apesar de apresentar queda, esse dado foi visto como positivo pelo mercado.

O número de pessoas desempregadas no Brasil foi estimado em 14,4 milhões no trimestre encerrado em fevereiro, o maior contingente desde 2012, início da série histórica, divulgada no dia 30/04 pelo IBGE. A taxa de desemprego ficou estável em 14,4% frente ao trimestre anterior (14,1%). Em um ano de pandemia, houve redução de 7,8 milhões de postos de trabalho.

A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 10,349 bilhões em abril, valor 67,9% superior em relação ao mesmo período do ano passado. O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que o superávit é recorde para qualquer mês da série histórica, iniciada em 1997. As importações totalizaram US$ 16,131 bilhões, uma alta de 41,1% em comparação a abril de 2020. As exportações totalizaram US$ 26,480 bilhões, aumento de 50,5% em relação ao mesmo mês de 2020. Essa alta se explica pela demanda mundial aquecida somada aos preços altos das commodities, com a venda recorde de 17 milhões de toneladas de soja.

No mês de abril, o dólar fechou o mês em $5,43, apresentando uma queda de 3,49% em relação ao fechamento de março. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para o câmbio se manteve em 5,35%. Após o último aumento da taxa de juros, o dólar segue um rali de baixa, chegando a $5,20.

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação no fim deste ano aumentou de 4,81% para 5,06%, segundo o Focus (10/05). Para 2022, o valor projetado teve um leve ajuste de 3,52% para 3,61%.

Na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), que ocorreu nos dias 04 e 05 de maio, foi decidido, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50% a.a. Esse ajuste já havia sido sinalizado na última reunião e reforça a posição do Banco Central de tentar manter a inflação sob controle e o mais próximo da meta. Segundo o Boletim Focus, a projeção é que a taxa de juros encerre o ano em 5,50%.

Bolsa de Valores

O Ibovespa fechou o mês de abril com uma alta de 1,94%, a 118.897 pontos, impulsionado pelas empresas exportadoras de commodities.

2. Estratégias

No 1º quadrimestre de 2021 foram verificados sinais positivos quanto à recuperação econômica doméstica. Resumidamente, o IBC-Br subiu 1,7% no mês de fevereiro, 0,98% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, sendo que do lado da produção industrial o patamar encontra-se acima do período pré-pandemia. Com relação ao desemprego, os dados do CAGED revelam geração líquida de empregos formais, bem acima das expectativas. A arrecadação total em março foi muito acima do esperado, tendo extrapolado em 17,2% a projeção máxima feita pelo mercado.

Vale destacar que a retomada do crescimento sustentável de médio e longo prazo ocorrerá com a elevação da produtividade através do combate à má alocação de recursos, bem como pela continuidade da implementação das reformas estruturais e do processo de consolidação fiscal.

São recorrentes as preocupações com cenário atual que reflete a clara deterioração fiscal. Nesse contexto, a Reforma Administrativa e a Reforma Tributária, com foco em desonerações, tornaram-se imprescindíveis no sentido de reduzir a necessidade de financiamento do déficit público. O endividamento bruto atingiu 94% do PIB (STN) e nos parece inevitável atingirmos o patamar de 100% do PIB ainda em 2021, sendo muito provável passarmos por um novo rebaixamento da nota de classificação de risco soberano.

Nesse entendimento, continuamos com o rigor no controle do risco de crédito e com elevada disciplina nas análises de empresas de capital aberto, mantendo o foco em fundamentos, tanto no campo macro e microeconômico.

Não obstante, no campo das oportunidades, temos a bolsa de valores deflacionada em dólares, que ainda se encontra bastante descontada, podendo atrair a liquidez financeira internacional. Adicionalmente, observamos maiores prêmios nos títulos de renda fixa pré-fixados, dado que o mercado de juros futuros apressou parte dos aumentos esperados para 2021.

Renda Fixa

No sentido de auferir os maiores resultados em renda fixa, migraremos gradualmente os recursos para os papéis pré-fixados, contudo mantendo a estratégia de alocar os recursos em títulos públicos federais e em títulos e de emissão bancária com garantias do FGC, mantendo o status de baixíssimo risco de crédito da carteira.

Renda Variável

Além de continuarmos a prestigiar empresas de setores essenciais, estão previstas para o mês seguinte realocações estratégias que visam capturar resultados advindos da recuperação cíclica da economia. Por exemplo, compra de ações das Lojas Renner, aumento das posições de Br Malls, compra de ações Eneva e reforço das posições de Hiperfarma. Continuamos com alocações mais relevantes nos setores de Mineração e Petróleo, em especial, pautadas na recuperação econômica global e no crescimento da China, que apresenta aceleração acima da média.

Reforço que as teses de alocações e trocas estratégicas estão disponíveis no site da Bluemetrix, no segmento Analytics.

 

Atenciosamente, Renan S. Silva Jr . Gestor, CGA

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