carta do Gestor - Setembro 21

Setembro 2021

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

A projeção para o crescimento do PIB em 2021 foi reduzida de 5,15% para 5,04%, segundo o boletim Focus de 01/10/2021. Para 2022, a projeção também foi reduzida, de 1,93% para 1,57%. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, em um evento virtual oferecido pelo banco Itaú, afirmou que a economia deve crescer de 4,3% a 4,4% este ano, valor abaixo do projetado pelo mercado. No entanto, para 2022, a projeção do ministro é que a taxa seja próxima a 2%, valor acima do projetado pelo mercado. As expectativas ainda seguem sendo ajustadas após o resultado do PIB no segundo trimestre ter apontado uma redução inesperada.

A produção industrial, em agosto, teve uma queda de 0,7% frente a julho, segundo o IBGE, sendo a terceira queda consecutiva. Na comparação com agosto de 2020, a produção industrial teve queda de também 0,7%, já no acumulado dos últimos 12 meses, tem alta de 7,2%. Com o resultado de agosto, a indústria fica 2,9% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado, no cenário pré-pandemia.

Após surpreenderem positivamente no mês de julho, as vendas do varejo surpreenderam negativamente em agosto, apresentando queda de 3,1% julho, frente as projeções de 0,7% de alta. A queda é vista como normal pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), que afirma que em julho ouve uma antecipação do consumo, por conta da grande quantidade de descontos no mês. Em relação a agosto de 2020, houve uma queda de 4,1% e no acumulado dos últimos 12 meses alta de 5,0%.

A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 4,322 bilhões em setembro, valor 15% inferior em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o saldo foi de superávit de US$ 56,432 bilhões, aumento de 38,3% sobre o mesmo período de 2020. O Ministério da Economia reduziu a estimativa de um superávit de US$ 105,3 bilhões para um superávit de US$ 70,9 bilhões em 2021.

No mês de setembro, o dólar fechou em $5,44, apresentando uma alta de 1,15% em relação ao fechamento de agosto. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para o câmbio aumentou de $5,17 para $5,20.

O IPCA, indicador de inflação divulgado pelo IBGE, foi de 1,16% em agosto, valor abaixo das projeções (1,25%). Esse é o maior valor para o mês de setembro desde 1994. No ano, o índice acumula 6,90% de alta e nos últimos 12 meses, 10,25%. A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação no fim deste ano aumentou de 7,58% para 8,51%, segundo o Focus (01/10). Para 2022, o valor projetado teve um ajuste de 3,98% para 4,14%.

Na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), que ocorreu nos dias 21 e 22 de setembro, foi decidido, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 6,25% a.a. Esse ajuste já havia sido sinalizado pelo presidente do Bacen, Roberto Campos Neto. Segundo o comunicado do Bacen “O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”. Desse modo, o Copom antevê um novo ajuste de mesma magnitude na próxima reunião. Segundo o Boletim Focus, a projeção é que a taxa de juros encerre o ano em 8,25%.

2. Ibovespa

O Ibovespa fechou o mês de setembro com uma queda de 6,57%, a 110.981 pontos. O cenário internacional incerto, com a questão delicada da empresa imobiliária chinesa Evergrande e o impasse no congresso americano para decidir o teto da dívida foram os principais fatores que pesaram na bolsa no mês.

3. Estratégias

Seguimos investindo em setores relacionados ao crescimento econômico, em razão da recuperação cíclica da economia, que indica um PIB de 5,30% para 2021. É fato que o preço das commodities se estabilizaram em patamares elevados, contribuindo para os resultados expressivos verificados nas de empresas produtoras. Continuamos posicionados em setores de mineração, petróleo e gás e energia, historicamente mais privilegiados em períodos de crescimento. Ademais, mantivemos posições em vendas no varejo, favorecido pela aceleração da vacinação no Brasil. No pano de fundo temos forte volatilidade advinda do embate político, que tem gerado stress adicional nos juros futuros e na taxa cambio agressiva, pressionando ainda mais a inflação. No sentido de melhora do cenário da política fiscal, é crucial o andamento das reforças que tramitam no Congresso e no Senado e, nesse contexto, estamos monitorando a agenda relacionada a esse tema, para eventual redução do risco sistêmico.

3.1. Renda Fixa

Após observados diversos deslocamentos da curva de juros futuros ao longo do ano, iniciamos a realocação de 25% dos recursos investidos, vendendo LFTs (pós-fixadas) e comprando LTNs (pré-fixadas) e NTNBs (indexadas a inflação), com o objetivo de capturar maior prêmio nos títulos de curto prazo livre de risco. Os recursos remanescentes continuam aplicados em LCAs (pós-fixadas), em razão da qualidade do crédito do agronegócio, da garantia do FGC e das instituições financeiras emissoras. Desta forma, mantemos nossa carteira de crédito rendendo acima do CDI, entretanto, com o risco de crédito ínfimo.

3.2. Renda Variável

Continuamos com as maiores alocações em commodities, em especial, petróleo e gás, mineração e energia elétrica (geração térmica e transmissão), devido ao crescimento econômico doméstico e internacional. Mantemos as alocações em segmentos essenciais como o farmacêutico e o hospitalar. No sentido de otimizarmos os resultados com a aceleração da vacinação, mantivemos nossas posições no varejo, infraestrutura para o varejo, construção civil e serviços financeiros.

Cabe pontuar que mantemos as métricas de alocação em empresas com estrutura de capital forte, baixo endividamento, margens preservadas, lucros recorrentes e preço alvo atrativo.

 

Renan S. Silva Jr

Gestor, CGA

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