carta do Gestor - Outubro 21

Outubro 2021

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

A projeção para o crescimento do PIB em 2021 foi reduzida de 5,04% para 4,93%, segundo o boletim Focus de 05/11/2021. Para 2022, a projeção também foi reduzida, de 1,57% para 1,00%. A redução nas expectativas reflete o cenário de aumento de juros e inflação mais elevada. O banco Itaú, em seu último relatório, já prevê uma leve queda do PIB em 2022, de 0,5%.
A produção industrial, em setembro, teve uma queda de 0,4% frente a agosto, segundo o IBGE, sendo a quarta queda consecutiva. Na comparação com setembro de 2020, a produção industrial teve queda de também 3,9%, já no acumulado dos últimos 12 meses, tem alta de 6,4%. Essa queda na atividade industrial nos últimos meses se deve, principalmente, ao problema da falta de insumos, que afeta não só o Brasil como o resto do mundo.
O setor de serviços atingiu o seu maior patamar desde 2015, no mês de agosto, segundo o IBGE. No mês houve uma expansão de 0,5% do setor frente a julho, sendo o quinto mês consecutivo de alta. Em comparação com agosto de 2020, houve um crescimento de 16,7%, já nos últimos 12 meses, de 5,1%. A reabertura da economia com o sucesso da campanha de vacinação é o fator determinante para o reaquecimento do setor.
A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 2,003 bilhões em outubro, valor 54,5% inferior em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o saldo foi de superávit de US$ 58,578 bilhões, aumento de 29,6% sobre o mesmo período de 2020. Segundo Herlon Brandão, subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, a queda no saldo da balança é resultado de uma acomodação dos preços das commodities. “Temos uma desaceleração do crescimento do preço do minério de ferro, temos entressafra agrícola com quebra de produção de alguns produtos agrícolas, como milho e café. Há também menor embarque de carne bovina”, afirmou.
No mês de outubro, o dólar fechou em $5,64, apresentando uma alta de 3,68% em relação ao fechamento de setembro. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para o câmbio teve um salto de $5,20 para $5,50.
O IPCA, indicador de inflação divulgado pelo IBGE, foi de 1,25% em outubro, valor acima das projeções (1,05%). No ano, o índice acumula 8,24% de alta e nos últimos 12 meses, 10,67%. A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação no fim deste ano aumentou de 8,51% para 9,33%, segundo o Focus (05/11). Para 2022, o valor projetado teve um ajuste de 4,14% para 4,63%.
Na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), que ocorreu nos dias 26 e 27 de outubro, foi decidido, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 7,75% a.a. Esse ajuste um pouco maior já era projetado pelo mercado, devido aos números prévios de inflação, que vieram acima do esperado. Desse modo, o Copom antevê um novo ajuste de mesma magnitude na próxima reunião. Segundo o Boletim Focus, a projeção é que a taxa de juros encerre o ano em 9,25%.

1.1. Ibovespa

O Ibovespa fechou o mês de setembro com uma queda de 6,74%, a 103.500 pontos. Os cenários político e fiscal tiveram um maior impacto negativo na bolsa brasileira no mês, com destaque para uma possível quebra do teto de gastos.

2. Ibovespa

O Ibovespa fechou o mês de setembro com uma queda de 6,57%, a 110.981 pontos. O cenário internacional incerto, com a questão delicada da empresa imobiliária chinesa Evergrande e o impasse no congresso americano para decidir o teto da dívida foram os principais fatores que pesaram na bolsa no mês.

2. Estratégias

Essencialmente, a curva de juros futura vem sofrendo diversos deslocamento positivos ao longo ano de 2021. Nesse contexto, estamos deslocando os recursos advindo de vencimentos das operações de renda fixa, em outubro e novembro, os quais representam a maior concentração em carteira, para as taxas de juros em stress, aumentando a rentabilidade das aplicações sensivelmente (entre 10,0% e 12,5%).
As incertezas quanto a disciplina fiscal, associada aos eventos políticos, contribuíram para a desvalorização da bolsa de valores, entretanto, foi observado forte desconto no preço das ações de empresas de setores essenciais. O P/L médio das ações no Brasil encontra-se em 8,5 anos, contra 11,5 anos, média da América Latina. Ainda a relação USD/BRL persiste no patamar R$ 5,50, sendo mais um fator de atratividade para a reentrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira.

2.1. Renda Fixa

Com forte concentração dos vencimentos de renda fixa em outubro, novembro e dezembro/21, estamos realocando os recursos para LTNs e NTNbs, de curto prazo (2024 e 2026), com vistas em rentabilizar de forma mais intensa nossas carteiras. Ao mesmo tempo, cabe pontuar que são títulos de baixíssimo risco de crédito e de elevada liquidez. As posições em LFTs permaneceram como um atenuante de volatilidade, contudo em um grau menor de alocação. Os títulos privados deverão representar 50% das alocações, fortalecendo a rentabilidade, mas mantendo a disciplina de baixo risco de crédito.

2.2. Renda Variável

Para a carteira Dynamics, temos efetivados operações de lançamento coberto de opções (sem alavancagem), no sentido de atenuar as variações da VALE3, mais afetada pelas incertezas oriundas da China (desaquecimento e crise imobiliária). Adicionalmente, algumas trocas (venda de PETR4 e PRIOS3), aproveitando algumas distorções de preços, mas sem perder os pilares da análise fundamentalista. A carteira Equities, vem apresentando recuperação, já no mês de novembro, em razão dos preços atrativos de empresas solidas e com up-sides de longo prazo expressivos.

 

Renan S. Silva Jr

Gestor, CGA

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