carta do Gestor - Dezembro 20

Dezembro 2020

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

Macroeconomia

No mês de dezembro o otimismo em torno do início da vacinação para imunização contra o Covid-19 permaneceu acentuado, assim como as expectativas relacionadas a retomada da atividade econômica. Na contramão há sinais de maior propagação do vírus, provocando novas ondas de “lockdowns” e retração econômica no curto prazo.

Cabe destacar que o risco fiscal, associado ao embate político, mantém-se elevado e deve seguir inalterado até a realização de reformas estruturantes. Nesse contexto, os déficits primários poderão atingir o patamar de -10,6% do PIB em 2020 e de -3,7% do PIB em 2021. Do lado da dívida bruta, a relação com o PIB chega a 94,7%, o que pressiona o risco soberano. Quanto às dificuldades de rolagem da dívida, maior preocupação dos analistas, esta deverá ser atenuada pelos resultados com operações cambiais do Bacen, na ordem de R$ 325,0 bilhões, que deverão ser transferidos ao Tesouro Nacional para abatimento de dívidas. A fora isso, a “desalavancagem” dos bancos públicos na ordem de R$ 140,0 bilhões, também, contribuem para a rolagem da dívida em 2021. A partir de 2022 a dependência quanto as reformas administrativa e tributária, privatizações e concessões aumentam, deixando o Governo vulnerável a oposição no campo político.

Do lado da atividade econômica, verificamos franca recuperação, sendo que as projeções de crescimento do PIB são de -4,4% e de 3,3% para 2020 e 2021 respectivamente. Os dados recentes confirmaram nossa expectativa de recuperação significativa da atividade econômica no 3T20, principalmente no setor de bens (produção industrial e comércio).

Para 2021, projetamos crescimento de 3,3%, pontuando que o consumo de serviços apresenta recuperação lenta e gradual, em razão da baixa circulação de pessoas. Outra preocupação se refere à taxa de desemprego que poderá atingir 15% em 2020.

As projeções para a taxa de câmbio em 2020 giram em torno de R$ 5,15 / USD, e para R$ 5,10 / USD em 2021. Dependendo do grau de incerteza fiscal, a taxa poderá ser revisada para cima no decorrer de 2021.

Os preços ao consumidor continuam pressionados pelo câmbio e pelos baixos estoques e apontam para uma inflação de 4,38% em 2020 e 3,32% em 2021. Vale frisar que o problema está concentrado nos preços dos alimentos, uma vez que a indústria e serviços recuperam-se lentamente. Com a descompressão do câmbio e a volta das encomendas a indústria, indicando reposição de estoques, a inflação deverá estar dentro da meta (CMN) em 2021.

Nesse entendo, o Copom manteve a taxa básica da economia em 2,0% ao ano, piso histórico, indicando uma postura de estímulo à atividade econômica por período prolongado. O mercado financeiro já cogita que a Selic permaneça inalterada em 2,0% até o 3T21, desde que surja uma solução satisfatória para o “corner” fiscal no Brasil.

 

Bolsa de Valores

O Ibovespa segue em franca recuperação, atingindo os 113.298 pontos (10/12). Em novembro a valorização chegou em torno de 16% e no acumulado ano -5,29%, ancoradas na perspectiva de vacinação da população e retomada da economia global. Hoje, é certo que os volumes financeiros para a bolsa aumentaram de forma expressivas, confirmando que o movimento de alta deve se sustentar nos próximos meses. As projeções mais pessimistas indicam que o Ibovespa deverá atingir os 120.000 pontos no 1T21.

2. Estratégias

Renda Fixa

Continuamos priorizado a austeridade, investimento em títulos de baixíssimo risco de crédito, devido aos impactos da pandemia. Essencialmente, os recursos estarão alocados em LFTs (mais adequado aos períodos de crise e perspectivas de eleva de juros) e em emissões bancárias (CDB e LCAs) com garantia do FGC.

Renda Variável

Nos meses de novembro e dezembro, remodelamos a carteira com base nas projeções de resultados das empresas, listadas na bolsa, com vista no pós-Covid. Reforçamos que a estratégia central permanece pautada em fundamentos fortes, direcionada para empresas lucrativas e estrutura de capital consistente.


Cabe reforçar que, mesmo com as perspectivas trazidas pela vacinação contra o Covid, continuamos optamos pela alocação de recursos em setores essenciais, considerados mais resilientes em períodos de crise. São eles: Energia, Transmissão, Saneamento, Telefonia, Farmacêutico e Serviços financeiros em geral.  

 

 

Atenciosamente, Renan S. Silva Jr . Gestor, CGA

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