carta do Gestor - Maio 21

Maio 2021

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

Macroeconomia

A projeção para o crescimento do PIB em 2021 subiu de 3,21% para 4,36%, segundo o boletim Focus de 04/06/2021. Esse salto mais significativo se deve ao resultado do PIB do primeiro trimestre de 2021, que surpreendeu o mercado positivamente com alta de 1,2% em relação ao quarto trimestre de 2020. Com isso, alguns bancos já projetam crescimento próximo de 5%. Outro dado que animou os investidores em relação ao Brasil foi o superávit orçamentário de 24,3 bilhões de reais e, consequentemente, a redução da razão dívida líquida pelo PIB de 61,3% para 60,5%.

No mês de abril, segundo o IBGE, a produção industrial recuou 1,3%, depois de reportar uma queda de 2,4% em março. Essa foi a terceira queda mensal consecutiva da indústria. Na comparação com abril de 2020, a produção industrial teve alta de 34,7%, mas no acumulado dos últimos 12 meses, tem alta de apenas 1,1%.

As vendas do varejo, no mesmo mês, tiveram uma alta de 1,8% frente a março. No ano o setor acumula alta de 4,5% e nos últimos 12 meses de 3,6%. Esses números foram bem recebidos pelo mercado, que esperava uma recuperação muito mais lenta do setor, o que corrobora para as revisões para cima do PIB para este ano.

A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 9,29 bilhões em maio, valor 29,4% superior em relação ao mesmo período do ano passado. Esse é o maior valor para o mês de maio desde o início da série em 1997, sendo que o maior valor anterior era do ano de 2012. As importações totalizaram US$ 17,66 bilhões, uma alta de 57,4% em comparação a maio de 2020. As exportações totalizaram US$ 26,95 bilhões, aumento de 46,5% em relação ao mesmo mês de 2020. O desempenho da balança segue surpreendendo positivamente, contribuindo para a tese de recuperação econômica mundial e o surgimento de um novo ciclo de commodities.

No mês de maio, o dólar fechou o mês em $5,22, apresentando uma queda de 3,87% em relação ao fechamento de abril. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para o câmbio se manteve em 5,30. O real nos últimos 3 meses foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar, com valorização de 11,6% no período, resultado de uma maior entrada de capital estrangeiro.

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação no fim deste ano aumentou de 5,06% para 5,44%, segundo o Focus (04/06). Para 2022, o valor projetado teve um ajuste de 3,61% para 3,70%. Apesar da queda do dólar ter aliviado um pouco a pressão sobre os preços do atacado, a alta dos preços das commodities segue pressionando. Com isso, a previsão para o IGP-M para o final do ano saltou de 14,81% para 18,81%.

Na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), que ocorreu nos dias 04 e 05 de maio, foi decidido, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50% a.a. Esse ajuste já havia sido sinalizado na última reunião e reforça a posição do Banco Central de tentar manter a inflação sob controle e o mais próximo da meta. Segundo o Boletim Focus, a projeção é que a taxa de juros encerre o ano em 5,75%.

Bolsa de Valores

O Ibovespa fechou o mês de maio com uma alta de 6,16%, a 126.221 pontos, impulsionado pelos dados econômicos positivos e a perspectiva de recuperação econômica no curto prazo.

2. Estratégias

O mês de maio ficou marcado pela mudança de percepção quanto ao risco soberano. A atividade econômica ficou acima das expectativas e as projeções para PIB em 2021 foram revisadas para em torno de 5,0%. Ainda, as projeções para a relação dívida bruta/PIB apresentaram descompressão, reforçando a tendência de alta para a bolsa de valores.

Do lado da inflação, a pressão cambial associada a retomada forte da economia doméstica e internacional voltaram a preocupar e as projeções para a Selic apontam possíveis altas adicionais de juros, instrumento de política monetária para contenção da inflação. As projeções para os juros, no momento, não reduzem a atratividade dos ativos de bolsa. 

Renda Fixa

 Em razão da diminuição da volatilidade dos juros de longo prazo (DI futuro), promovemos uma migração parcial das aplicações para títulos pré-fixados de curto prazo, no sentido de otimizar os resultados da renda fixa, entretanto, mantendo o controle rigoroso do risco de crédito.

Renda Variável

As principais alocações em ações visam capturar os benefícios da retomada econômica, incluindo o forte ciclo das commodities, principalmente em minério de ferro e em petróleo. Nos últimos meses redirecionamos parcialmente a carteira para o setor de varejo, que tem apresentado forte recuperação. Adicionalmente, mantivemos as alocações nos setores essenciais como energia (geração, distribuição, transmissão), em hidrelétricas e em termoelétricas, em razão da forte estiagem, pontuado que se trata de um setor privilegiado mediante crescimento econômico.

Reforço que as teses de alocações e trocas estratégicas estão disponíveis no site da Bluemetrix, no segmento Analytics.

 

Atenciosamente, Renan S. Silva Jr . Gestor, CGA

Disclaimer
O material apresentado é de caráter exclusivamente informativo.  A Bluemetrix Asset não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelos investidores. O investidor deve analisar muitos outros fatores não presentes nessa carta e que devem ser levados em conta para tomar suas decisões. O material não deve ser distribuído ou comercializado para terceiros sem o consentimento da Bluemetrix Asset. Esta carta não se caracteriza e não deve ser entendida como consultoria jurídica, contábil, regulatória ou fiscal em relação aos assuntos aqui tratados. O material não deve ser entendido como uma suposta solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo. A Bluemetrix Asset não se responsabiliza por qualquer erro presente na carta.