carta do Gestor - Fevereiro 21

Fevereiro 2021

CARTA DO GESTOR

CENÁRIOS E PERSPECTIVAS

1. Conjuntura Econômica

Macroeconomia

A projeção para o crescimento do PIB em 2021 caiu de 3,50% para 3,26%, segundo o boletim Focus de 05/03/2021. O setor de serviços, que vinha de grande recuperação, deve sofrer no primeiro semestre do ano por conta dos novos lockdowns implantados em todo o país, por conta da nova cepa do vírus. No entanto, com o aumento da população vacinada, as perspectivas para o segundo semestre são mais otimistas. Para 2022, a expectativa do mercado teve uma leve redução, de 2.50% para 2,48% e, para 2023, se manteve constante, com crescimento de 2,50%.

No âmbito político, foi aprovado na câmara o texto base da PEC Emergencial em primeiro turno. A PEC permite o pagamento de uma nova rodada do auxílio emergencial no valor de até R$ 44 bilhões sem precisar respeitar as regras fiscais, como necessidade de cortar outros gastos para encaixar essa despesa no Orçamento. A equipe econômica estima que, com isso, será possível pagar o benefício em valores entre R$ 175 e R$ 350 por quatro meses, de março a junho.

Segundo o IBGE, em janeiro de 2021, a produção industrial cresceu 0,4% frente a dezembro de 2020, este foi o nono mês consecutivo de alta. Na comparação com janeiro de 2020, a produção industrial teve alta de 2,0%, mas no acumulado dos últimos 12 meses, tem queda de 4,3%.

A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 1,15 bilhões em fevereiro, revertendo o déficit de janeiro, segundo números divulgados pelo Ministério da Economia, valor 50,4% inferior em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações totalizaram US$ 15,030 bilhões, uma alta de 13,4% em comparação a fevereiro de 2020. As exportações totalizaram US$ 16,182 bilhões, aumento de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2020. Os destaques positivos ficaram novamente com as indústrias extrativa e de transformação, com altas de 13,81% e 3,54% respectivamente. O destaque negativo foi o setor agropecuário que teve queda de 10,78% em fevereiro nas exportações.

No mês de fevereiro, o dólar fechou o mês em $5,60, apresentando alta de 2,56% em relação ao fechamento de janeiro. Para o fechamento de 2021, a expectativa do mercado para o câmbio teve um ajuste para cima, de R$5,01 para R$5,15.

A mediana das projeções dos economistas do mercado para o IPCA no fim deste ano aumentou de 3,60% para 3,98%, segundo o Focus (5/3). Para 2022, o valor projetado teve um leve ajuste de 3,49% para 3,50%.

Não houve reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) no mês de fevereiro, logo não houve alteração na taxa básica de juros SELIC, que hoje é de 2,0% ao ano. No entanto, é esperado pelo mercado que nas próximas reuniões tenham ajustes para cima. Segundo o Boletim Focus, a projeção é que a taxa de juros encerre o ano em 4,0%.

Bolsa de Valores

O Ibovespa, em fevereiro, teve uma queda de 4,37%, fechando a 110.937 pontos. No mês foi registrada elevada volatilidade gerada, principalmente, pela troca de comando na Petrobrás. Somado a isso, as novas ondas de “lockdowns”, contribuíram para o aumento da aversão ao risco.

2. Estratégias

Renda Fixa

Em razão do elevado grau de incerteza, advindo do risco fiscal, decidimos por reduzir o risco de crédito privado, restringindo os investimentos aos títulos públicos federais, em especial, as LFTs. São os títulos emitidos pela STN com menor duração e maior liquidez no mercado, os mais adequados para momentos de stress. Vale reforçar que o Bacen deverá dar início ao novo ciclo de alta dos juros do mês de março e, em momento oportuno, no decorrer do ano, promoveremos realocações para os títulos pré-fixados.

Ademais, continuamos investindo em emissões bancárias com garantia do FCG, especificamente em CDBs e LCAs, mas mantendo o rigor na análise de solvência das instituições financeiras. São papéis pós-fixados com prêmios relevantes sobre a Selic e de curto prazo, contudo permanece a máxima de risco de crédito próximo a “zero”.

Renda Variável

Com vistas no controle do risco aumentamos ao longo dos últimos quatro meses a diversificação na composição da carteira de ações. Hoje, compõem o portfólio 14 empresas, em geral, pertencentes aos setores essenciais, mais resilientes a pandemia da Covid-19. São eles: Alimentos, Farmacêutico, Energia, Transmissão de Energia, Distribuição de Energia, Telefonia, Seguros, Petroquímico e Mineração (exportações para a China). Em especial, desinvestimos das ações da Sanepar (SAPR11), impactada pela intervenção do Estado do Paraná sobre as tarifas pelos serviços prestados e reforçamos as posições da Taesa (TAEE11), devido ao bom desempenho da companhia que tem 63% dos seus contratos indexados ao IGP-M.

Essencialmente, as empresas investidas permanecem seguindo os padrões de seleção da Bluemetrix. São empresas que têm apresentado lucros recorrentes e estruturas de capital fortes. Ao mesmo tempo, são larges capitals de alta liquidez em bolsa que indicam upside para 2021.

 

Atenciosamente, Renan S. Silva Jr . Gestor, CGA

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