Carta do Gestor Dez/23

Cenários e perspectivas

Cenário Econômico Internacional

No último mês, nos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), liderado por Jerome Powell, decidiu manter as taxas de juros estáveis, mantendo-as entre 5,25% e 5,5% ao ano. Essa decisão reforça o compromisso do FED estabilizar
a inflação em torno da meta de 2% e manter as expectativas ancoradas. Desde o início do ano, o FED adotou uma postura cautelosa na política monetária restritiva. Embora a inflação tenha mostrado sinais de redução ao longo do
mês, permaneceu em níveis elevados. Entretanto, indicadores apontam para um mercado de trabalho ainda apertado, sugerindo uma tendência gradual de equilíbrio entre oferta e demanda, o que traz uma perspectiva otimista. Além disso, o setor imobiliário demonstrou uma estabilidade mais consistente, mesmo como impacto das taxas de juros mais altas. Os últimos relatórios de inflação trouxeram boas notícias, indicando uma tendência de desaceleração contínua ao longo do mês. Destaca-se o núcleo do deflator do PCE, a medida favorita do FED, que mostrou um ritmo trimestral anualizado de 2,4%, prevendo-se que permaneça nesse patamar ao longo do próximo período.

Na Zona do Euro, o último relatório do índice PMI apresentou um crescimento estável do setor manufatureiro, em 44,2. Já no setor de serviços, houve uma queda de 48,7 para 48,1 no PMI, indicando uma estagnação prolongada. Por outro lado, em novembro, a inflação anual registrou um declínio para 2,4%, com uma desaceleração o no núcleo para 3,6%. Tanto os serviços, quanto os bens mostraram perda de força nesse período. Na última reunião de 2023, o
Banco Central Europeu (BCE) optou por manter a taxa de juros em 4,0%, delineando uma intenção de estabilidade nesse cenário. As projeções divulgadas apontam para uma queda mais rápida na inflação, refletindo as surpresas negativas dos últimos meses.

Sobre a China:

Recentemente, durante as reuniões do POLITBURO e da Conferência Central de Trabalho Econômico (CEWC) na China, foi destacada a urgência na implementação de estímulos adicionais, reconhecendo os desafios iminentes na atividade econômica de curto prazo. Em resposta, indicou-se a necessidade de medidas abrangentes, envolvendo aspectos fiscais, monetários e intervenções no mercado imobiliário. Embora o setor manufatureiro tenha registrado uma ligeira queda no PMI no último mês, passando de 49,5 para 49,4, houve um crescimento notável de 6,6% na
produção industrial em comparação ao ano anterior, destacando um desempenho positivo nessa área específica. Contudo, os setores de serviços e o mercado imobiliário permanecem fragilizados, como PMI dos serviços iminuindo de 50,6 para50,2 e as vendas de imóveis substancialmente abaixo dos níveis de 2019.

Brasil

No mês de dezembro, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, fixando-a em 11,75% ao ano. Essa decisão considerou tanto fatores globais, como sinais favoráveis no ambiente externo, quanto indicadores  econômicos internos confirmando a desaceleração esperada. Apesar da desinflação em curso e da trajetória de queda na inflação ao consumidor, o Copom destacou riscos tanto para alta quanto para baixa da inflação, resultando em uma abordagem cautelosa. Optou-se por uma redução moderada, alinhada à estratégia de convergência da inflação às metas, estimulando a atividade econômica e mantendo uma postura contracionista. Antevendo novas reduções na mesma magnitude nas próximas reuniões, o Copom buscou sustentar essa política monetária contracionista para
impulsionar o processo de desinflação, mantendo um olhar atento à consolidação da desinflação e à ancoragem das expectativas de acordo com as metas estabelecidas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) apontou uma elevação de 0,33%, superando as expectativas do mercado, embora tenha sido o menor índice para este mês desde 2019. Esse aumento, em comparação a outubro, foi mais moderado. Por outro lado, a inflação acumulada em 12 meses até novembro ficou em 4,84%, abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2023, que é de 4,75%. O setor de alimentos e bebidas teve um impacto expressivo nessa alta, registrando um aumento de 0,82%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,28% em novembro, com destaque para a categoria de Alimentação e Bebidas, influenciando consideravelmente o índice total. O país acumulou uma inflação de 4,68% nos últimos 12 meses, enquanto o aumento no ano alcançou 4,04%.

O cenário de emprego no Brasil foi predominantemente positivo. O país gerou 190.366 novos empregos com carteira assinada em outubro, acumulando um total de 1.784.695 vagas no ano. O setor de serviços liderou a criação de empregos, seguido pelo comércio e indústria. No entanto, a agropecuária foi o único setor a registrar um saldo negativo. Em paralelo, a taxa de desemprego caiu para 7,6%, atingindo seu nível mais baixo desde fevereiro de 2015.

1. Estratégia das Carteiras

O mercado doméstico permanece favorecido pelo cenário global, com a perspectiva de estabilidade das taxas básicas de juros nos EUA. Em linhas gerais, o risco de interrupção do ciclo de corte de juros no Brasil é ínfimo, o que permite uma maior exposição a renda variável e aos títulos pré-fixados e/ou indexados à inflação.

2.1 Renda Fixa

Com a confirmação da estabilidade dos juros nos EUA e com os cortes na Selic, nossos títulos pré-fixados, com baixíssimo risco de crédito e de curta duração, permanecerão performando ao longo de 2024. Fortalecemos as posições nos títulos indexados a inflação em razão dos elevados cupons.

2.2 Renda Variável

A estrutura da carteira de ações manteve o foco nos setores e nas empresas mais sensíveis a que da taxa de juros e a elevação do PIB, o que consideramos adequado a conjuntura econômica. Permanecemos em setores essenciais os
quais reagem positivamente ao crescimento da atividade econômica e, ao mesmo tempo, aumentamos a posição nos setores de educação, varejo e imobiliário.

Carteira internacional

Com a perspectiva de queda na taxa de juros nos EUA a partir de março de 2024, realocamos, parcialmente, os recursos de curto prazo para os bonds do Governo de 10y e 20y, otimizando os resultados. As ações do S&P500 seguem em tendencia de alta, em razão dos juros futuros menores. Seguimos privilegiando as empresas com forte estrutura de capital e geração de riqueza relevante (ROE e ROIC).

2. Conclusão

O cenário internacional denota menor atividade global, com compressão nos preços das commodities, parcialmente compensada pelo crescimento chines. Com a estabilidade da taxa de juros no exterior, o fluxo de capitais para os
países emergentes deverá permanecer, principalmente para o México e o Brasil, o que reforça a tese de maior exposição a renda variável. A gestão segue priorizando a preservação de capital e o rigoroso controle de riscos. A disciplina na busca por ativos de qualidade com fundamentos fortes encontra-se preservada.

Renan S. Silva
Gestor, CGA

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