Abril de 2022

1. Conjuntura econômica

Internacional

  • Copom segue com o ciclo de alta de juros no Brasil;
  • Inflação segue pressionada com destaque para transportes e alimentos;
  • Fed acelera a alta de juros no EUA com aumento de 0,50 p.p.;
  • Mercado de trabalho segue robusto em abril;
  • Com o hiato inflacionário deixado pela pandemia e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, indicam para os ventos adversos à economia e fortalecimento do dólar.

O Copom elevou a taxa Selic para 12,75% a.a., sendo que as projeções de inflação provavelmente serão revisadas para cima até a próxima reunião, sugerindo que a próxima elevação deverá chegar a 0,50 p.p., lembrando que os analistas de mercado mantem a projeção para 2022 em 13,25% a.a. e para 2023 em 9,25% a.a. (relatório Focus 29/4). Cabe pontuar que parte relevante dos agentes de mercado entendem que a Selic poderá atingir o patamar de 13,75% a.a. até dezembro de 2022.

As preocupações sobre a inércia dos preços elevaram as projeções para o IPC-A ao patamar de7,9% em 2022, 4,1% em 2023 e 3,2% em 2024.

Do lado da produção industrial, observou-se alta de 0,3% em março em comparação com fevereiro. Dentre seus componentes, a indústria extrativa registrou avanço de 0,9%, enquanto a indústria de transformação recuou 0,6%. Bens de capital (+8,0% no mês) e materiais de construção (+4,6%) foram os principais destaques, reforçando a tendência positiva dos investimentos. Desta forma, a produção de bens de capital se encontra 16% acima do nível anterior à pandemia, enquanto a produção de materiais de construção está 2% acima do patamar pré-Covid.

Com relação ao PIB, as projeções de crescimento foram mantidas em 0,7% para 2022 e 1,0% para 2023, sendo que desemprego segue na ordem de 11,2%, mesmo patamar pré-Covid-19. Quanto a política fiscal, o superávit primário encontra-se em 1,4% PIB, com a dívida bruta em 79,1% e 57,0% do PIB, o que demostra considerável disciplina fiscal.

A taxa de câmbio permanece extremamente afetada pelas incertezas advindas da Guerra Rússia x Ucrânia e da implementação do novo “lockdown” na China, comprimindo a recuperação econômica global. Desta forma, as projeções giram em torno R$ 5,20 por dólar para o final de 2022.

A balança comercial registrou superávit de US$ 8,1 bi em abril, abaixo da mediana das expectativas de mercado (US$ 9,9 bi). Exportações e importações totalizaram US$ 28,9 bi e US$ 20,8 bi, respectivamente, resultando em um superávit menor do que o registrado em abril de 2021 (US$ 9,9 bi), provavelmente devido à alta expressiva das importações, em especial do

petróleo bruto e dos combustíveis e dos adubos e fertilizantes. Mesmo assim, o superávit comercial segue em patamar historicamente elevado.

O Fed aumentou a taxa básica de juros da economia americana em 0,50 p.p. e sinalizou que continuará nesse ritmo nas próximas reuniões, reforçando nosso cenário de mais duas altas de 0,50 p.p. em junho e julho e três acréscimos de 0,25 p.p., chegando ao intervalo de 2,50%-2,75% este ano.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia segue com pouco espaço para diplomacia e, na ausência de um cessar fogo, a UE propôs novas sanções, como a redução das importações de petróleo russo. Tendo em vista a incerteza e os riscos geopolíticos, a projeção para o Brent mantem-se em USD 110/barril, com oscilações devido ao surto de coronavírus na China. A preocupação é que com a capacidade de refino limitada pressionando a gasolina e o diesel, as pressões inflacionárias deverão aumentar.

2. Estratégias

Considerando a conjuntura e o cenário base para o Brasil, de pressões inflacionárias adicionais e juros elevados, seguimos com as realocações dos ativos de renda fixa prazo para os títulos de maior duração e prêmios mais elevados, aproveitando a escalada da Selic.

Continuamos com a convicção de que as empresas brasileiras listadas em bolsa de valores apresentam um bom desconto, representando um polo de atratividade em relação às bolsas mundiais. No balanço geral o Brasil ganhou visibilidade por ser um grande player de commodities e por estar distante do conflito na Europa.

2.1. Renda fixa

Seguimos com a estratégia de preservação de capital associada a retornos elevados, aproveitando a forte elevação dos juros reais no Brasil. No período da pandemia mantivemos os investimentos em títulos com baixíssimo risco de crédito e de curta duração, os quais estão sendo realocados gradualmente para os títulos com maiores prêmios, como as LTNs (24) e as NTNBs (26), ao mesmo tempo mantendo parcela relevante em LFTs, aproveitando a elevação da Selic e presando pela liquidez, em razão dos efeitos exógenos da crise global.

No campo das emissões privadas, seguimos com os papéis de curto prazo, usufruindo do stress na curva de juros futura, entretanto mantendo a forte disciplina quanto ao risco de crédito, investindo em títulos com garantia do FGC.

2.2. Renda variável

Em momento de crise prevalece a tese de investimentos em setores essenciais e mais resilientes as oscilações de mercado. Continuamos capturando resultados oriundos da pressão sobre as commodities. A estratégia de proteção por meio de operação caixa (hedge), na ordem de 20% do portfólio, foi assertiva, na medida em que após três meses de resultados expressivos, a bolsa de valores foi a cometida por forte realização de lucros. No momento, continuamos investidos essencialmente nos setores de energia elétrica, de petróleo e gás, de mineração e de proteínas.

3. Conclusão

O cenário econômico permanece desafiador e em stress, em razão da Guerra Russia x Ucrânia, da inflação global e do novo ciclo de lockdown na China. O Brasil mantém elevada atratividade, considerando o elevado juro real e, ainda, o desconto de empresas listadas na Bolsa de Valores.

Por fim, a Bluemetrix Asset mantém rigorosamente a disciplina na busca por ativos sólidos e de elevada liquidez, condizentes com a conjuntura econômica.

 

Renan S. Silva Jr

Gestor, CGA

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